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Psicanálise não é emprego 28 Jan, 2026
Fabio Alves

Psicanálise não é emprego

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Escolher exercer a psicanálise implica em ocupar o seu tempo (por isso é uma ocupação) em prol de algo maior que a obtenção de dinheiro. E para articular a entrada deste, se faz necessária uma dinâmica que vai além da "satisfação garantida". A relação analítica coloca o dinheiro segundo vertentes lacanianas como o único gozo do analista. Regra que muitas vezes se rompe no confronto com a supervisão porque é verdade que é possível e até normal outros gozos alheios ao dinheiro aparecerem no relacionamento analítico (simpatia, ódio, amor, raiva, etc). O maior ponto de atenção à esse aspecto me parece ser o cuidado do psicanalista em se assegurar de que o pagamento do analisante não seja em nenhum momento ponto de barganha na continuidade ou não do processo analítico. Imprudente o psicanalista que baseia sua estabilidade financeira em sua clínica. Antiético e negligente o psicanalista que reluta em deixar ir um analisante pelo alto valor que este paga pela consulta. É possível um psicanalista ganhar muito dinheiro com sua ocupação? Sim. Mas não às custas so sofrimento do analisante.