O quê esperar da terapia psicanalítica online Nesses 9 anos dedicados a terapia psicanalítica online, pode-se afirmar que hoje é possível oferecer uma opção de terapia com poderosos recursos que têm levado as pessoas ao autoconhecimento e ao equilíbrio emocional, utilizando um recurso hoje tão comum como a luz elétrica: a internet. Obviamente, por ser um recurso novo de terapia, paira ainda uma aura muito grande de desconfiança, insegurança e preconceito, logicamente alimentada pela falta de informação sobre o método que hoje é bastante estruturado na teoria e na prática, consequência do próprio ineditismo que esta terapia apresenta. Por isso, é importante esclarecer alguns reparos de experiências vivenciados nestes sete anos de trabalho.
  • A primeira inquietude é a mais demandada pelos analisantes com a terapia online é a de “consertar” um estado emocional ou um relacionamento “quebrado” simplesmente por método de aconselhamento como se fosse um carro a ser levado ao mecânico. É importante destacar que um processo terapêutico com base psicanalítica age sobre a investigação do discurso do próprio cliente. Por esse motivo é importante que o mesmo se sinta familiarizado com as novas tecnologias virtuais e esteja a vontade para expressar-se virtualmente seja teclando, com áudio ou vídeo. Através desta investigação propõe-se hipóteses com fragmentos conscientes e inconscientes relevantes o bastante para que o analisante (sim,analisante porque paciente é aquele que “pacientemente” espera e portanto não encaixa nesta posição) possa ressignificar antigas posturas e atitudes sob uma nova perspectiva. Portanto, é um processo que demanda tempo e o cliente tem uma participação crucial. Não se “conserta” anos ou décadas de um relacionamento ruim ou crises emocionais em quarenta e cinco minutos. Existe a subjetividade, mas não existe mágica, as respostas aparecem da relação analítica entre psicanalista e analisante
  • A segunda inquietude, oriunda de todo processo terapêutico, é a crença na garantia de “cura” ou eficácia no processo, como quem compra uma televisão e esta tem que simplesmente funcionar após sua aquisição. A experiência com a psicanálise tanto presencial como online, diz que todo encontro entre psicanalista e analisante implica em um relacionamento, e como tal, este se desenrola mais uma vez na subjetividade e na relação consciente e inconsciente entre estes, ou seja, o “relacionamento” analítico pode dar certo ou não. E isso é normal. Por isso é importante dar continuidade somente em relações analíticas promissoras.
Portanto, não existe a promessa de cura no início do relacionamento analítico por parte do psicanalista. Seria uma atitude antiética e precipitada por parte deste.Essa "cura" ou melhora dos estados emocionais é algo que se faz ou não durante o relacionamento analítico. Então fica claro que o analisante paga pela prestação de serviço de um tratamento e não de uma garantia de cura.Estamos em uma nova era para a terapia. Nesses sete anos atendemos brasileiros, pessoas de outros países de língua portuguesa que não podiam fazer terapia pela inexistência de consultórios, pela falta de profissionais com o nosso idioma nativo em outros países (as emoções residem na língua materna), pela dificuldade de mobilidade física para fazer terapia ou pela falta de tempo em virtude do trabalho ou do cuidado com a família.  Seguramente será, em um futuro muito próximo, uma técnica amplamente difundida e acessível a todos, utilizada em escala mundial, com a possibilidade de levar a terapia psicanalítica a lugares e a pessoas sem acesso, seja pela distância ou pela falta de mobilidade. Uma revolução na busca do equilíbrio e do autoconhecimento.

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