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Para além do aprendizado do idioma 28 Jan, 2026
Fabio Alves

Para além do aprendizado do idioma

Para além do aprendizado do idioma 
Ir a outro país com intenção de morar implica em desafios difíceis como romper barreiras que vão além de aprender um idioma local. Neste aspecto me refiro ao desafio de dominar o contexto da comunicação onde o idioma local é mais do que o uso em si. Explico: Determinadas conversas ou expressões em nosso idioma português brasileiro são recheadas de elementos que, sem conhecer a cultura a comunicação se faz impossível.
  • Andar nas nuvens = Estar desatento, distraído.
  • Ao deus-dará = Abandonado, sem rumo.
  • Ao pé da letra = Literalmente.
  • Aos trancos e barrancos = De forma atabalhoada, desajeitada, improvisada.
  • Armado até os dentes = Exageradamente armado, preparado para uma situação.
  • Armar um barraco = Criar confusão em público, discutindo ou brigando com alguém.
  • Fazer a “Cátia Cega” = Comportamento de indiferença
Expressões como essas mostram que saber a gramática e a sintaxe de um idioma é só o pontapé inicial para dominá-lo.
Mas o quê esse fator tem a ver com sofrimento psíquico e necessidade de análise?
Muitos brasileiros quando saem do país para viver em outro percebem às vezes da pior maneira o muro que se abre com o desconhecimento deste aspecto da língua local. O trabalho, os estudos, a vida sentimental, novos amigos, entre outros exigem o conhecimento deste aspecto do idioma senão este estará fadado à solidão ou ao contato exclusivo com outros brasileiros.
O grande desafio para romper essa barreira é perceber que este aspecto do aprendizado de um idioma depende muito mais da vivência, absorção do meio sociocultural e da predisposição das pessoas locais em ensinar ao expatriado do que simplesmente cursos tradicionais.
Se faz necessário humildade para se colocar como aprendiz e sorte para encontrar pessoas bem-dispostas a ensinar nuances muitas vezes sutis do idioma, mas que são essenciais para conduzir uma conversa, ministrar uma palestra e até mesmo paquerar.
Entenda que apesar de inicialmente parecer um detalhe, permanecer nesse abismo pode significar a porta de entrada e um gatilho para quadros de bipolaridade, depressão, entre outros.