Nesses 15 anos dedicados a terapia psicanalítica online, posso afirmar que hoje é possível oferecer uma opção de terapia com poderosos recursos que tem levado as pessoas ao autoconhecimento e ao equilíbrio emocional, utilizando um recurso hoje tão comum como a luz elétrica. A internet. Obviamente, por ser um recurso novo de terapia, paira ainda uma aura muito grande de desconfiança, insegurança e preconceito, logicamente alimentada pela falta de informação sobre o método que hoje é bastante estruturado na teoria e prática, consequência do próprio ineditismo que esta terapia apresenta. Por isso acho importante esclarecer alguns reparos de experiências que pude vivenciar nestes sete anos de trabalho. A primeira inquietude e a mais demandada pelos clientes com a terapia online é a de “consertar” um estado emocional ou um relacionamento “quebrado” simplesmente por método de aconselhamento como se fosse um carro a ser levado ao mecânico.
É importante destacar que um processo terapêutico com base psicanalítica age sobre a investigação do discurso do próprio cliente. Por esse motivo é importante que o mesmo se sinta familiarizado com as novas tecnologias e esteja a vontade para expressar-se virtualmente seja teclando, com áudio ou vídeo. Através desta investigação propõe-se hipóteses com fragmentos conscientes e inconscientes relevantes o bastante para que o cliente (sim, cliente porque paciente é aquele que “pacientemente” espera e portanto não encaixa nesta posição) possa resignificar antigas posturas e atitudes sob uma nova perspectiva. Portanto, é um processo que demanda tempo e o cliente tem uma participação crucial. Não se “conserta” anos ou décadas de relacionamento em quarenta e cinco minutos. Existe a subjetividade mas não existe mágica, as respostas aparecem da relação analítica entre psicanalista e cliente.
A segunda inquietude, oriunda de todo processo terapêutico, é a crença na garantia de “cura” ou eficácia no processo, como quem compra uma televisão e esta tem que simplesmente funcionar após sua aquisição. Minha experiência como psicanalista tanto presencial como online, diz que todo encontro entre psicanalista e cliente implica em um relacionamento, e como tal, este se desenrola mais uma vez na subjetividade e na relação consciente e inconsciente entre estes, ou seja, o “relacionamento” analítico pode dar certo ou não. E isso é normal. Por isso é importante dar continuidade somente em relações analíticas promissoras.
Estamos em uma nova era para a terapia. Nesses sete anos atendi brasileiros e pessoas de outros países de língua portuguesa que não podiam fazer terapia pela inexistência de consultórios, pela falta de profissionais com o nosso idioma nativo em outros países (as emoções residem na língua materna), pela dificuldade de mobilidade física para fazer terapia ou pela falta de tempo em virtude do trabalho ou do cuidado com a família.
Me sinto feliz em estar envolvido no que será, em um futuro muito próximo, em uma técnica amplamente difundida e acessível a todos, utilizada em escala mundial, com a possibilidade de levar a terapia psicanalítica a lugares e a pessoas sem acesso, seja pela distância ou pela falta de mobilidade. Uma revolução na busca do equilíbrio e do autoconhecimento.
Autoconhecimento é liberdade.